Fitoterapia para crianças com TDAH: o que os estudos dizem e o que esperar

Entenda o que os estudos dizem sobre Fitoterapia para crianças com TDAH e saiba o que esperar desse cuidado.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que pode impactar diferentes áreas da vida da criança, como atenção, comportamento, aprendizagem e regulação emocional.

Para muitas famílias, o diagnóstico vem acompanhado de uma série de dúvidas: quais são os caminhos de cuidado? Existem alternativas? Como lidar com os desafios relacionados aos tratamentos convencionais?

Nos últimos anos, a Fitoterapia vem despertando interesse como uma abordagem complementar dentro do cuidado de crianças com TDAH.

Mas o que a ciência realmente sabe sobre o uso de plantas medicinais nesse contexto? Quais possibilidades vêm sendo estudadas e o que é importante considerar antes de iniciar qualquer estratégia?

O que é o TDAH e como ele afeta o desenvolvimento infantil?

O TDAH é caracterizado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade que podem interferir na rotina da criança.

Ele está relacionado a alterações em circuitos cerebrais envolvidos na regulação da atenção, controle de impulsos e funções executivas — habilidades importantes para processos como organização, planejamento, memória de trabalho e capacidade de manter o foco. [1]

Além dos sintomas principais, algumas crianças também podem apresentar desafios associados, como alterações no sono, ansiedade, irritabilidade e dificuldades emocionais.

Por isso, o cuidado com o TDAH costuma envolver diferentes estratégias, considerando a individualidade de cada criança.

O desafio dos tratamentos convencionais

Os medicamentos convencionais são uma das abordagens utilizadas no manejo do TDAH e podem trazer benefícios importantes para muitas crianças.

No entanto, algumas famílias relatam dificuldades relacionadas a efeitos adversos, que podem incluir alterações no apetite, dificuldades para dormir, dores de cabeça, desconfortos gastrointestinais e mudanças de humor.

Essas questões fazem com que muitos pais busquem compreender outras possibilidades de cuidado.

É nesse contexto que a Fitoterapia vem sendo estudada como uma ferramenta complementar, buscando ampliar as possibilidades terapêuticas com base em evidências científicas.

Como a Fitoterapia pode contribuir no cuidado do TDAH?

A Fitoterapia utiliza plantas medicinais e seus derivados com base em conhecimentos tradicionais e pesquisas científicas.

No contexto do TDAH, os estudos ainda estão em desenvolvimento e não indicam que plantas medicinais substituam tratamentos já estabelecidos.

Porém, a Fitoterapia vem sendo investigada como uma aliada dentro do cuidado, especialmente em aspectos associados ao transtorno, como qualidade do sono, estresse, regulação emocional e funções cognitivas. [2]

Pesquisadores estudam como determinados compostos naturais podem influenciar processos relacionados ao funcionamento cerebral e ao equilíbrio do organismo.

Algumas linhas de investigação envolvem mecanismos como:

  • equilíbrio do sistema nervoso;
  • suporte à função cognitiva;
  • resposta ao estresse;
  • processos inflamatórios;
  • estresse oxidativo. [3]

Esses fatores podem influenciar diretamente a rotina, o comportamento e o bem-estar da criança.

O que a ciência investiga sobre plantas medicinais e TDAH?

As pesquisas sobre Fitoterapia e TDAH ainda estão em crescimento, mas alguns estudos já avaliam como determinados compostos naturais podem influenciar processos relacionados à cognição e ao comportamento.

Uma das áreas estudadas envolve a relação entre plantas medicinais e neurotransmissores como dopamina e serotonina — substâncias importantes para funções como atenção, motivação, controle de impulsos e regulação emocional.

No TDAH, alterações nesses sistemas podem estar relacionadas a dificuldades nas funções executivas, como organização, planejamento e manutenção do foco.

Além disso, pesquisadores investigam o papel do estresse oxidativo e da inflamação no neurodesenvolvimento. Alguns compostos presentes em plantas medicinais possuem propriedades antioxidantes e podem contribuir para o equilíbrio do organismo. [3]

Isso não significa que uma única planta seja capaz de tratar o TDAH, mas reforça a importância de estudar como diferentes compostos podem atuar como aliados dentro de uma abordagem individualizada.

Plantas estudadas para foco, cognição e bem-estar infantil

Bacopa monnieri

A Bacopa monnieri é uma das plantas mais estudadas quando o assunto envolve memória e função cognitiva.

Pesquisas investigam seus efeitos sobre processos relacionados à atenção, aprendizagem e memória, avaliando seu potencial de atuação na comunicação entre neurônios e em mecanismos associados à plasticidade cerebral — capacidade do cérebro de criar e fortalecer conexões. [4]

Alguns estudos sugerem resultados promissores em aspectos cognitivos, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para definir protocolos específicos para crianças com TDAH.

Crocus sativus

O Crocus sativus, conhecido popularmente como açafrão, também vem sendo estudado por seu potencial em aspectos relacionados ao humor, comportamento e funções cognitivas.

Seus compostos bioativos, como crocina e safranal, são investigados por possíveis efeitos relacionados à neurotransmissão e ao equilíbrio emocional. [5]

Algumas pesquisas avaliaram seu uso em crianças e adolescentes com sintomas relacionados ao TDAH, observando resultados promissores em determinados aspectos comportamentais.

Ainda assim, os estudos continuam evoluindo para compreender melhor sua eficácia e segurança.

Melissa officinalis

A Melissa officinalis é uma planta estudada principalmente por seus efeitos relacionados ao relaxamento e ao equilíbrio emocional.

Como algumas crianças com TDAH também apresentam dificuldades relacionadas ao sono, ansiedade ou agitação, plantas com esse perfil podem ser consideradas dentro de uma avaliação individualizada. [6]

O que os estudos mostram na prática?

Apesar do crescente interesse científico, a pesquisa em Fitoterapia para crianças com TDAH ainda possui desafios.

Muitos estudos apresentam resultados promissores, mas variam em relação ao tipo de extrato utilizado, dose, tempo de acompanhamento e perfil das crianças avaliadas.

Revisões científicas sobre intervenções complementares no TDAH destacam que algumas abordagens apresentam resultados interessantes, mas reforçam a necessidade de estudos maiores e mais padronizados para compreender melhor seus benefícios e limitações. [7]

Na prática, isso significa que a escolha de uma estratégia fitoterápica deve considerar cada criança individualmente, levando em conta sintomas, rotina, idade, histórico de saúde e outros tratamentos em andamento.

A importância da avaliação individual

Uma das principais características da Fitoterapia clínica é que não existe uma fórmula única para todos.

Cada criança possui uma história diferente.

Idade, sintomas, alimentação, rotina, sono, condições de saúde e outros tratamentos influenciam na escolha da melhor estratégia.

Por isso, o uso de plantas medicinais em crianças deve sempre acontecer com orientação profissional.

A automedicação pode trazer riscos, especialmente porque algumas plantas possuem contraindicações ou podem interagir com medicamentos.

Fitoterapia substitui medicamentos para TDAH?

Essa é uma dúvida comum — e a resposta exige cuidado.

A Fitoterapia não deve ser vista como uma substituição automática aos tratamentos convencionais.

O objetivo é ampliar as possibilidades de cuidado.

Em algumas situações, ela pode atuar como uma abordagem complementar para auxiliar em aspectos específicos, como sono, estresse, ansiedade, equilíbrio emocional e bem-estar geral.

A decisão sobre o melhor caminho deve considerar a realidade de cada criança e ser feita junto a profissionais capacitados.

O que esperar da Fitoterapia no cuidado infantil?

É importante ter expectativas realistas.

Plantas medicinais não funcionam como soluções imediatas e não apresentam os mesmos efeitos para todas as pessoas.

Quando indicada corretamente, a Fitoterapia pode fazer parte de uma estratégia de cuidado mais ampla, contribuindo para:

  • Maior equilíbrio da rotina;
  • Suporte à qualidade do sono;
  • Melhora do bem-estar;
  • Auxílio em aspectos relacionados à concentração e regulação emocional.

O objetivo não é apenas olhar para um sintoma isolado, mas compreender a criança como um todo.

A ciência continua avançando

A relação entre plantas medicinais, cognição e neurodesenvolvimento ainda é uma área em crescimento.

Novos estudos continuam investigando quais compostos apresentam melhores resultados, em quais situações e para quais perfis de pacientes.

O que já sabemos é que a Fitoterapia baseada em evidências pode oferecer novas possibilidades dentro de um cuidado responsável, individualizado e acompanhado por profissionais especializados.

Cuidar de uma criança é olhar para todos os detalhes

O TDAH não se resume à dificuldade de concentração. Cada criança possui necessidades únicas, e encontrar estratégias adequadas exige um olhar completo para sua saúde, rotina e desenvolvimento.

A Fitoterapia pode fazer parte desse caminho quando utilizada com orientação e responsabilidade.

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Referências científicas

[1] American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5-TR. Washington, DC: American Psychiatric Publishing; 2022.

[2] Sarris J, Panossian A, Schweitzer I, Stough C, Scholey A. Herbal medicine for depression, anxiety and insomnia: a review of psychopharmacology and clinical evidence. European Neuropsychopharmacology. 2011;21(12):841–860.

[3] Lopresti AL. Cognitive behaviour therapy and supplementation with medicinal herbs and nutrients: evidence for improving stress, anxiety and mood. Journal of Affective Disorders. 2017;219:253–262.

[4] Pase MP, Kean J, Sarris J, Neale C, Scholey AB, Stough C. The cognitive-enhancing effects of Bacopa monnieri: a systematic review of randomized controlled trials. Journal of Alternative and Complementary Medicine. 2012;18(7):647–652.

[5] Moghimi M, Zare M, Rahimi R, et al. Crocus sativus L. (saffron) and attention deficit hyperactivity disorder: a systematic review of clinical studies. Phytotherapy Research. (revisão sobre aplicações do açafrão em sintomas relacionados a humor, cognição e comportamento).

[6] Cases J, Ibarra A, Feuillère N, Roller M, Sukkar SG. Pilot trial of Melissa officinalis L. leaf extract in healthy volunteers with cognitive performance and mood assessment. Mediterranean Journal of Nutrition and Metabolism. 2011;4:211–218.

[7] Cochrane Developmental, Psychosocial and Learning Problems Group. Interventions for attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) in children and adolescents: systematic reviews of complementary and alternative approaches. Cochrane Database of Systematic Reviews.

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